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A partir de quantos graus é febre?

Febre é a partir de 37,5 °C na axila, e esse mesmo ponto é 38 °C na boca ou no reto. E a altura da febre não diz a gravidade da doença.

JP
Dr. João Pedro Vieira do Prado · CRM-SP 281.239
Publicado em 16 de setembro de 2026 · Leitura de 10 minutos

O termômetro apita, aparece 37,6, e começa a discussão em casa. Isso é febre ou não é? Tem gente que diz que só vale a partir de 38, tem gente que diz que 37,5 já conta.

Febre é a partir de 37,5 °C medidos na axila, e esse mesmo ponto corresponde a 38 °C quando a medida é feita na boca ou no reto. A frase está assim, com todas as letras, no documento científico nº 206 da Sociedade Brasileira de Pediatria, de maio de 2025: "A febre, quando medida por temperatura axilar, é geralmente definida como uma temperatura igual ou superior a 37,5 °C (correspondendo a 38 °C quando medida por temperatura oral ou retal)."

E agora a parte que vale mais do que o número, e que muda o que você faz depois de medir. A altura da febre não diz a gravidade da doença. Não é opinião: a mesma sociedade escreve que não existem evidências clínicas de que a magnitude da temperatura tenha qualquer valor de prognóstico ou de diagnóstico nos quadros infecciosos.

Resumo rápido
  • Febre começa em 37,5 °C na axila, que é a via usada no Brasil, e equivale a 38 °C na boca ou no reto.
  • A altura da febre não indica a gravidade. Doença leve pode dar febre alta, e doença séria pode dar febre baixa.
  • O que decide não é o número no termômetro, são os sinais que vêm junto e há quanto tempo a febre dura.
  • Qualquer febre em bebê com menos de três meses é sinal de alerta e pede avaliação imediata.
  • Recém-nascido pode estar infectado e não apresentar febre nenhuma, então nesse grupo a ausência de febre não tranquiliza.
  • Febre que passa de três a quatro dias merece avaliação, mesmo sem nenhum outro sintoma.

O número muda conforme onde você mede

Essa é a raiz da confusão que acontece em casa, e quase nenhum texto explica. Não existe um número único de febre, existe um número para cada via de medição.

Na axila, que é como praticamente todo brasileiro mede, o corte é 37,5 °C. Na boca e no reto, o mesmo estado corresponde a 38 °C. Os dois números descrevem a mesma coisa, medida em lugares diferentes.

O Manual MSD explica a mecânica da diferença: a temperatura retal e a do ouvido ficam cerca de 0,6 °C acima da temperatura oral, e a temperatura medida na pele, como na testa, fica cerca de 0,6 °C abaixo da oral.

Ou seja, quando alguém diz "38 é febre" e outra pessoa diz "37,5 é febre", as duas podem estar certas. Estão falando de termômetros em lugares diferentes do corpo.

Por que você talvez tenha aprendido 37,8

Se o número 37,8 está na sua cabeça, ele não saiu do nada. Ele é o que a maioria das pessoas aprendeu, e o que ainda aparece em muito texto por aí.

A própria Sociedade Brasileira de Pediatria trabalhava com outro valor: no documento sobre manejo da febre aguda, de outubro de 2021, a definição registrada era temperatura axilar acima de 37,3 °C. O documento de maio de 2025 é que traz o 37,5 na axila com a equivalência de 38 na boca.

Não é um detalhe de casa decimal. É a diferença entre uma família achar que 37,6 não é nada e uma família entender que ali já começou uma febre, e passar a observar o resto.

Infográfico da Consultaí sobre a partir de quantos graus é febre. A primeira faixa traz o número por via de medição, segundo o documento científico número 206 da Sociedade Brasileira de Pediatria, de maio de 2025: na axila, febre é a partir de 37,5 graus, que é a via usada no Brasil; na boca e no reto, febre é a partir de 38 graus; e o Manual MSD acrescenta que a temperatura do ouvido fica cerca de 0,6 grau acima da oral e a da testa cerca de 0,6 grau abaixo. A segunda faixa traz a frase central do artigo, de que a altura da febre não indica a gravidade da causa, com o registro da Sociedade Brasileira de Pediatria de que não existem evidências clínicas de que a magnitude da temperatura tenha valor de prognóstico ou de diagnóstico. A terceira faixa lista os sinais que pedem avaliação imediata no adulto: confusão mental, dor de cabeça com pescoço duro, manchas vermelhas arroxeadas na pele, pressão baixa, coração ou respiração acelerados, falta de ar, e temperatura acima de 40 graus ou abaixo de 35. A quarta faixa lista os sinais em criança: qualquer febre em bebê com menos de três meses, letargia ou apatia, aparência doentia, dificuldade para respirar, manchas na pele, choro que não consola, e rigidez de pescoço ou confusão em criança maior. No rodapé, o lembrete de que febre que passa de três a quatro dias merece avaliação mesmo sem outro sintoma, e de que quem decide é o médico.
O número da axila e o da boca descrevem o mesmo estado. A diferença é o lugar do termômetro.

A altura da febre não diz a gravidade

Esta é a informação mais útil do texto inteiro, e ela contraria o que quase todo mundo sente.

A Sociedade Brasileira de Pediatria é categórica: "Não existem evidências clínicas de que a magnitude da temperatura alcançada nos quadros febris tenha qualquer valor prognóstico (gravidade) ou diagnóstico (etiologia viral ou bacteriana) nos quadros infecciosos."

O Manual MSD diz a mesma coisa em outras palavras: o grau de elevação da temperatura geralmente não determina a probabilidade nem a causa da infecção. E a versão para a família traduz para o que os pais precisam ouvir: "a altura da febre não indica necessariamente a gravidade da causa. Algumas doenças de menor porte causam febre elevada, e algumas doenças graves causam somente uma febre branda."

Na prática, isso desmonta os dois erros mais comuns. O primeiro é entrar em pânico com 39,2 num quadro que é uma virose simples. O segundo, e mais perigoso, é relaxar com 37,6 em alguém que está prostrado, confuso ou com falta de ar.

O termômetro responde uma pergunta só: tem febre ou não tem. Ele não responde o quanto é grave.

O que realmente importa é o que vem junto

Se o número não gradua a gravidade, o que gradua? Os sinais que acompanham. E esses têm lista.

No adulto, o Manual MSD aponta como sinais de alerta: mudança na função mental, como confusão; dor de cabeça com pescoço duro; pequenas manchas vermelhas arroxeadas na pele, chamadas petéquias; pressão arterial baixa; frequência cardíaca ou respiratória acelerada; falta de ar; e temperatura acima de 40 °C ou abaixo de 35 °C.

Repare que a temperatura aparece nessa lista só nos extremos, e que a temperatura baixa demais entra junto com a alta. Alguém com 34,8 °C e mal estado geral é tão preocupante quanto alguém com 40,5.

Na criança, a lista da versão para a família é esta: qualquer febre em bebê com menos de três meses de idade; letargia ou apatia; aparência doentia; dificuldade em respirar; sangramento na pele visto como pequenos pontos de cor púrpura; choro contínuo em bebê ou criança pequena que não se consola; e dor de cabeça, rigidez do pescoço ou confusão em uma criança mais velha.

Diante de qualquer um desses, no adulto ou na criança, o caminho é avaliação no mesmo dia, e não esperar o termômetro subir mais.

Bebê pequeno é caso à parte, nos dois sentidos

Aqui existem duas coisas que precisam ser ditas juntas, porque uma sem a outra engana.

A primeira já está na lista acima: qualquer febre em bebê com menos de três meses é sinal de alerta, sem exceção e sem discussão de quantos graus. O Manual MSD registra que essas crianças devem ser avaliadas por um médico imediatamente.

A segunda é o contrário disso, e assusta mais. A Sociedade Brasileira de Pediatria registra que "recém-nascidos, principalmente prematuros, podem não apresentar febre mesmo em vigência de infecção". Ou seja, nessa faixa de idade a ausência de febre não é sinal de que está tudo bem. Bebê muito novo que está mamando mal, muito sonolento ou diferente do habitual precisa ser visto, com ou sem termômetro alterado.

Vale saber também que criança pode ter convulsão quando a temperatura sobe ou cai rapidamente, o que se chama convulsão febril. Ver isso acontecer é assustador, e é motivo para procurar atendimento.

Quanto tempo de febre muda a conversa

Depois do número e dos sinais, entra o relógio. O tempo é o terceiro critério, e é o mais esquecido.

O Manual MSD orienta que, sem nenhum sinal de alerta, vale ligar para o médico se a febre durar mais de 24 a 48 horas. E é mais direto ainda sobre o limite: "geralmente, as pessoas devem consultar um médico se a febre durar mais de 3 ou 4 dias, independente de outros sintomas".

A palavra que importa nessa frase é independente. Não é preciso ter mais nada acontecendo. Febre que passa de três ou quatro dias já é motivo por si só.

E quando a febre se arrasta por semanas, o raciocínio médico muda de categoria. O manual chama de febre de origem desconhecida o quadro de pelo menos 38,3 °C que persiste por várias semanas, e aí a investigação deixa de mirar infecção aguda comum.

Como medir sem errar o resultado

Medir errado produz número errado, e número errado gera decisão errada nas duas direções.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que a medição da temperatura axilar com termômetro digital seja a utilizada em ambientes escolares e domiciliares. Ou seja, a via da axila não é uma opção inferior: é a recomendada para o dia a dia no Brasil, desde que você use o número certo dela, que é 37,5.

A mesma sociedade orienta não usar termômetro de mercúrio, pelo risco de quebra e pela toxicidade do metal. Se ainda tiver um desses em casa, vale trocar.

E, já que a temperatura normal oscila ao longo do dia, um detalhe ajuda a interpretar: o Manual MSD registra que a temperatura vai do menor nível no início da manhã até o mais alto no final da tarde, com variação máxima em torno de 0,6 °C. Uma medida de fim de tarde levemente mais alta que a da manhã pode ser apenas isso.

Onde a consulta online entra

A febre é uma das queixas em que a teleconsulta funciona bem, e o motivo é o que este artigo inteiro mostrou: o que decide a conduta não é o número, é a história e os sinais que vêm junto. Há quanto tempo começou, o que mais está acontecendo, se a pessoa está bebendo água, se está prostrada, se tem alguém em casa com o mesmo quadro.

Na consulta o médico avalia o caso, orienta o cuidado, diz em que momento redobrar a atenção, e emite atestado, receita e pedido de exame quando houver indicação clínica. Na Consultaí a consulta custa R$ 40, dura de 10 a 15 minutos e é feita por médico inscrito no CRM.

E se aparecer qualquer um dos sinais de alerta das listas acima, o próprio médico interrompe e encaminha para o presencial. Documento sai da avaliação, nunca do pedido: não comercializamos documentos.

Perguntas frequentes

A partir de quantos graus é febre?

A partir de 37,5 °C medidos na axila, segundo o documento científico nº 206 da Sociedade Brasileira de Pediatria, de maio de 2025. O mesmo texto registra que esse valor corresponde a 38 °C quando a medida é feita na boca ou no reto.

37,5 é febre mesmo? E 37,8?

Na axila, 37,5 já é febre pela definição atual da Sociedade Brasileira de Pediatria. O 37,8 que muita gente aprendeu é um valor mais antigo, ainda repetido em muito lugar. A diferença importa porque muda o momento em que a família começa a observar o resto.

Febre alta é mais grave que febre baixa?

Não necessariamente. A Sociedade Brasileira de Pediatria registra que não existem evidências de que a magnitude da temperatura tenha valor de prognóstico ou de diagnóstico. Doença leve pode dar febre alta, e doença grave pode dar febre branda. O que gradua são os sinais que vêm junto.

Quantos dias de febre são preocupantes?

O Manual MSD orienta ligar para o médico se a febre passar de 24 a 48 horas sem sinal de alerta, e consultar um médico se ela durar mais de três ou quatro dias, independente de outros sintomas. Febre com sinal de alerta não espera prazo nenhum.

Bebê com febre: quando levar ao médico?

Qualquer febre em bebê com menos de três meses é sinal de alerta e pede avaliação médica imediata. E atenção ao contrário: a Sociedade Brasileira de Pediatria registra que recém-nascidos podem estar infectados sem apresentar febre, então bebê muito novo diferente do habitual precisa ser visto mesmo sem termômetro alterado.

Qual termômetro usar, e onde medir?

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a medição axilar com termômetro digital para uso em casa e na escola, e orienta não usar termômetro de mercúrio pelo risco de quebra e pela toxicidade. Medindo na axila, o número que vale é 37,5.

Por que a temperatura muda durante o dia?

Porque essa oscilação é normal. O Manual MSD registra que a temperatura vai do menor nível no início da manhã até o mais alto no fim da tarde, com variação máxima em torno de 0,6 °C. Uma medida de fim de tarde um pouco mais alta pode ser só isso.

O termômetro diz se tem febre, não diz o quanto é grave. Confusão mental, pescoço duro, manchas roxas na pele, falta de ar, prostração, temperatura acima de 40 °C ou abaixo de 35 °C, e qualquer febre em bebê com menos de três meses, pedem avaliação no mesmo dia, em qualquer temperatura. Em emergência, ligue 192 (SAMU). A Consultaí não atende urgência. Este texto é informativo e não substitui a avaliação médica.

Está com febre e quer saber se o seu caso precisa de avaliação?

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Fontes e referências

Conteúdo escrito e revisado pelo Dr. João Pedro Vieira do Prado — Médico — CRM-SP 281.239. Publicado em 16 de setembro de 2026. Material informativo, não substitui avaliação médica.