Quantos dias de atestado para dor na coluna e nas costas?
Não existe tabela fixa, e isso vale para lombalgia, coluna travada ou dor no nervo ciático. O período sai da avaliação do seu caso. Veja o que pesa nessa decisão e quando a dor exige atenção imediata.
A dor nas costas costuma chegar sem aviso. Você levanta um peso, dorme numa posição ruim, passa o dia inteiro sentado, e de repente a lombar trava. Junto com a dor vem uma pergunta bem prática: quantos dias de atestado dá para conseguir por isso?
A resposta honesta é que não existe um número fixo. Nenhuma lei brasileira estabelece uma tabela ligando dor nas costas a uma quantidade de dias. Quem define o período é o médico que avalia você, considerando a intensidade da dor, a limitação de movimento, o tipo de trabalho que você faz e a presença ou não de sinais que exigem investigação. Neste texto eu explico exatamente o que entra nessa conta.
- Não existe tabela oficial de dias de atestado por doença. Qualquer lista assim que circula na internet é informal.
- A Resolução CFM nº 1.658/2002 determina que o médico especifique o tempo de dispensa necessário para a recuperação, caso a caso.
- Dor nas costas é o motivo número um de afastamento no Brasil. Em 2025 foram 237.113 benefícios concedidos só por dorsalgia.
- Repouso absoluto não é o melhor caminho. O Ministério da Saúde orienta manter-se ativo e retomar as atividades assim que os sintomas permitirem.
- Alguns sinais mudam tudo, como febre, perda de força na perna e dificuldade para controlar o xixi. Nesses casos, a avaliação precisa ser presencial e imediata.
Por que não existe uma tabela de dias
Essa é a parte que costuma frustrar, mas é também a que protege você. A norma que organiza a emissão de atestados no Brasil é a Resolução CFM nº 1.658/2002. Ela diz que, ao emitir o documento, o médico deve especificar o tempo de dispensa concedido ao paciente, necessário para a sua completa recuperação.
Repare no detalhe: a norma fala em tempo necessário para a recuperação daquele paciente, não em tempo padrão para aquela doença. Duas pessoas com a mesma dor lombar podem precisar de períodos diferentes. Uma trabalha sentada em um escritório e consegue voltar em um ou dois dias. A outra carrega peso o dia inteiro e voltar cedo demais significa piorar o quadro.
Por isso, quando você vê na internet uma lista dizendo "dor nas costas dá três dias", trate como o que é: um chute sem valor legal. O que vale é o registro de um médico que avaliou o seu caso, com CRM identificado.
O que o médico leva em conta na hora de definir o período
A decisão não é aleatória. Ela combina alguns fatores objetivos, e conhecer esses fatores ajuda você a se preparar melhor para a consulta.
A intensidade e o tipo da dor. Uma dor que aparece só em certos movimentos é diferente de uma dor constante que impede levantar da cama. Também importa se ela irradia para a perna, o que sugere envolvimento de nervo.
A limitação funcional real. Não é só "dói muito". É o que a dor impede de fazer: sentar, ficar em pé, dirigir, abaixar, subir escada.
A exigência física do seu trabalho. Este é o fator mais subestimado pelo paciente e um dos mais relevantes para o médico. Descreva sua rotina com detalhe, incluindo quanto peso você levanta, quantas horas fica na mesma posição e se há vibração ou trepidação, como em quem dirige caminhão.
A presença de sinais de alerta. Se existirem, o raciocínio muda completamente, e o foco deixa de ser o atestado e passa a ser investigar a causa.
O histórico. Episódios repetidos, dor que já dura semanas ou piora progressiva pedem uma conduta diferente de uma crise isolada que começou ontem.
Coluna travada, lombalgia, ciático: muda alguma coisa?
As pessoas chegam usando nomes diferentes para coisas que às vezes são a mesma e às vezes não. Vale separar, porque o nome que você usa muda o que eu preciso avaliar.
Lombalgia é simplesmente o termo técnico para dor na parte baixa das costas. Não é um diagnóstico fechado, é a descrição de onde dói. A maioria das lombalgias é mecânica, ou seja, ligada a esforço, postura ou sobrecarga, e melhora em poucos dias ou semanas.
Coluna travada é o jeito popular de descrever a crise aguda, aquela em que o músculo entra em espasmo, o corpo fica torto para um lado e qualquer movimento dói. Costuma assustar mais do que os exames mostram. Em geral é mecânica e melhora, mas a limitação nos primeiros dias pode ser grande, e é justamente essa limitação que pesa na decisão do período.
Dor no nervo ciático, ou ciatalgia, é diferente das duas anteriores. Aqui a dor desce pela perna, muitas vezes passando do joelho, e pode vir com formigamento, dormência ou fraqueza. Isso sugere que uma raiz nervosa está envolvida, o que muda o raciocínio: eu preciso investigar se há perda de força e a recuperação costuma ser mais lenta que a de uma lombalgia comum.
Torcicolo é dor e travamento na região do pescoço, não na lombar. O princípio é o mesmo, mas a avaliação e as orientações mudam de acordo com a região.
Repare no que isso significa na prática: não é o nome que define o período do atestado, é o quanto o quadro limita você e o que o seu trabalho exige. Uma lombalgia leve em quem trabalha sentado é uma situação. A mesma lombalgia em quem carrega peso é outra. E uma dor que desce pela perna com dormência é uma terceira, que muitas vezes pede investigação antes de qualquer conversa sobre dias.
Por isso, na consulta, descreva o quadro com as suas palavras mesmo. Onde dói, se desce para a perna, se tem formigamento, o que você não está conseguindo fazer e como é o seu dia de trabalho. Isso vale mais do que acertar o nome técnico.
Dor nas costas é o campeão de afastamento no Brasil
Isso não é impressão, é estatística. Segundo as estatísticas de concessão de benefícios por CID-10 do Ministério da Previdência Social, a dorsalgia, que é o nome técnico da dor nas costas, foi a maior causa de concessão de auxílio por incapacidade temporária no país em 2025, com 237.113 benefícios. Logo atrás vieram os transtornos de discos intervertebrais, com 208.727.
Somadas, as doenças osteomusculares, as lesões externas e os transtornos mentais responderam por 62,61% de todas as causas de incapacidade temporária no ano. Ou seja, se você está com a coluna travada e se sente sozinho nisso, saiba que está longe de ser exceção.
Repouso total costuma atrapalhar, não ajudar
Aqui vai um ponto que surpreende muita gente e que vale mais do que qualquer quantidade de dias. Na dor lombar sem sinais de gravidade, ficar deitado o dia inteiro tende a atrasar a recuperação, porque a musculatura que sustenta a coluna enfraquece rápido.
A orientação oficial do Ministério da Saúde, na linha de cuidado da dor lombar, é que o paciente permaneça fisicamente ativo e retorne às atividades do dia a dia assim que os sintomas o permitirem. A recomendação de longo prazo é de pelo menos 150 minutos de atividade física por semana, combinando exercício aeróbico, fortalecimento e alongamento.
Traduzindo para a prática: o atestado existe para tirar você da exigência que agrava o quadro, como carregar peso ou passar dez horas sentado numa cadeira ruim, e não para prendê-lo na cama. Movimento leve, dentro do que a dor permite, faz parte do tratamento.
Até 15 dias e depois do 16º: quem paga o quê
Essa parte confunde bastante, então vale separar bem. Nos primeiros 15 dias consecutivos de afastamento por doença, o pagamento é responsabilidade da empresa. Se a incapacidade se estender além disso, o caso passa para o auxílio por incapacidade temporária do INSS, o antigo auxílio-doença, e aí existe uma perícia própria do órgão.
Um detalhe importante: o INSS faz a própria avaliação. O atestado do seu médico é um documento essencial para instruir o pedido, junto com exames e laudos, mas quem decide sobre a concessão do benefício é a perícia médica federal. Nenhum médico particular pode garantir que o INSS vai aprovar.
Se o seu caso caminha para um afastamento mais longo, vale ler também o que a lei diz sobre desconto do dia do atestado no salário, porque muita gente perde direito por desconhecimento.
Como funciona a consulta na Consultaí
A consulta é por vídeo, custa R$ 40 no Pix e dura em média de 10 a 15 minutos. Na dor nas costas, a conversa é o principal instrumento: eu preciso entender como a dor começou, o que piora, o que melhora, se irradia, se há dormência ou perda de força, e como é a exigência física do seu trabalho.
Ao final, o atestado médico online, a receita e o pedido de exames são emitidos quando há indicação clínica, com assinatura digital ICP-Brasil, que é o mesmo padrão de documentos oficiais no Brasil. E aqui vai a parte que eu faço questão de repetir: não comercializamos documentos médicos. O atestado é a conclusão de uma consulta de verdade, nunca um item de catálogo.
Existe também o limite honesto da telemedicina. A consulta online avalia bem a grande maioria das dores lombares comuns, mas não substitui o exame físico quando ele é necessário. Se durante o atendimento aparecerem sinais de alerta, ou se o quadro exigir palpação, teste neurológico ou imagem, a conduta correta é o encaminhamento presencial, e é isso que eu vou orientar.
Perguntas frequentes
Coluna travada dá quantos dias de atestado?
Não existe número fixo, nem para coluna travada nem para nenhuma outra condição. A crise aguda com espasmo costuma limitar bastante nos primeiros dias, e é essa limitação, somada ao que o seu trabalho exige do corpo, que o médico usa para definir o período. Quem decide é a avaliação, não uma tabela.
Quantos dias de atestado o médico pode dar por dor na coluna?
Não há número fixo em lei. A Resolução CFM nº 1.658/2002 determina que o médico especifique o tempo de dispensa necessário para a recuperação daquele paciente. O período sai da avaliação do caso, e não de uma lista pronta.
Dor no nervo ciático costuma precisar de mais tempo?
A dor que desce pela perna sugere envolvimento de uma raiz nervosa e costuma ter recuperação mais lenta que a de uma lombalgia comum. Mas o mais importante nesse quadro não é o número de dias, é a avaliação: se houver perda de força ou dormência, a prioridade passa a ser investigar a causa.
Existe uma tabela oficial de dias de atestado por doença?
Não. Nenhuma lei brasileira liga uma doença a uma quantidade de dias. As listas que circulam na internet são informais e não têm valor legal. O que vale é o registro de um médico que avaliou você, com CRM identificado.
Atestado de um dia é válido?
Sim. Não existe período mínimo. Um único dia é comum em crises agudas que respondem bem, e tem exatamente a mesma validade legal de um atestado mais longo.
Preciso ficar de repouso absoluto com dor nas costas?
Na dor lombar sem sinais de gravidade, não. A linha de cuidado do Ministério da Saúde orienta manter-se fisicamente ativo e retomar as atividades assim que os sintomas permitirem. O atestado serve para afastar você da exigência que agrava o quadro, não para prendê-lo na cama.
E se a dor continuar depois que o atestado acabar?
Procure reavaliação. Dor que não melhora no prazo esperado, ou que piora, precisa ser reavaliada e às vezes investigada com exames. Não insista sozinho com analgésico por semanas.
Consulta online pode dar atestado por dor na coluna?
Pode, quando há indicação clínica após a avaliação. A telemedicina é regulamentada no Brasil e o atestado sai com assinatura digital ICP-Brasil. Se aparecerem sinais de alerta, ou se o caso exigir exame físico, a conduta correta é o encaminhamento presencial.
Sua coluna travou e você precisa de avaliação hoje?
Consulta médica online por R$ 40, com médico de CRM ativo, de qualquer lugar do Brasil. Atestado, receita e pedido de exames quando indicados.
Agendar minha consultaFontes e referências
- Resolução CFM nº 1.658/2002 — normatiza a emissão de atestados médicos e determina o registro do tempo de dispensa necessário à recuperação
- Ministério da Saúde — Linha de Cuidado da Dor Lombar, avaliação e conduta, sinais de alerta
- Ministério da Saúde — Linha de Cuidado da Dor Lombar, promoção da saúde e orientação de manter-se ativo
- Ministério da Previdência Social — Informações Gerenciais CID-10, estatísticas de concessão de benefícios por incapacidade temporária
- INSS — auxílio por incapacidade temporária, regras e documentos exigidos
Conteúdo escrito e revisado pelo Dr. João Pedro Vieira do Prado — Médico — CRM-SP 281.239. Publicado em 29 de julho de 2026. Material informativo, não substitui avaliação médica nem orientação jurídica.